176 ciclistas aceitaram o desafio de percorrem os 3546,8 quilómetros que a 102ª edição do Giro d’Italia tinha para oferecer ao pelotão. Mas nem todos chegaram a Verona. Houve 34 baixas ao longo das 21 jornadas.

O tiro de partida foi com uma crono-escalada de oito quilómetros onde os últimos dois eram em subida. Primoz Roglic (Team Jumbo – Visma) foi o mais veloz, com Simon Yates (Mitchelton – Scott) em 2º. Miguel Ángel López (Astana) ficou com o mesmo tempo de Tom Dumoulin (Team Sunweb) num dia ‘não’ para ambos. A primeira etapa em linha foi conquistada por Pascal Ackermann (Bora – Hansgrohe). O campeão alemão fazia a sua estreia em Grandes Voltas e começou da melhor maneira. No dia seguinte, o sprinter a sorrir foi Fernando Gaviria (Team UAE Emirates), depois de Elia Viviani (Deceuninck – Quick Step) ter sido desclassificado devido a sprint irregular.

Cedo se percebeu que os sprints seriam renhidos.

O quatro dia ficou marcado pela queda de Dumoulin com Simon Yates envolvido. Com pelotão reduzido, a Team UAE Emirates arregaçou as mangas para oferecer a vitória a Diego Ulissi, mas Richard Carapaz (Movistar Team) contrariou a teoria e venceu. No dia seguinte, Dumoulin abandonou. Os tempos foram tirados na 1ª passagem, devido à chuva intensa. Ao sprint, Ackermann somou o segundo triunfo na prova. As quedas permaneceram dentro do pelotão e a vítima ao 6º dia foi Roglic. Numa fuga com 13 atletas, Fausto Masnada (Androni Giocattoli – Sidermec) e Valerio Conti  (Team UAE Emirates) destacaram-se. Masnada venceu e Conti subiu à liderança, num dia em que Amaro Antunes (Team CCC) fechara em 10º. O dia seguinte foi destinado igualmente à fuga com Pello Bilbao (Astana) a vencer pela primeira vez numa Grande Volta. José Joaquín Rojas Gil (Movistar Team) ascendeu a segundo da geral individual. Na etapa mais longa da edição, com 239 quilómetros, Caleb Ewan (Lotto Soudal) bateu a concorrência ao sprint.

Carapaz mostrou-se previamente, mas a concorrência não o levou a sério.

O 8º dia de prova foi marcado por um contra-relógio individual de 35 quilómetros. Em dia de chuva, Simon Yates teve um dia para esquecer, Miguel Ángel López também. Roglic venceu, com um minuto de vantagem sob Vincenzo Nibali (Bahrain – Merida), três sob Yates, no entanto, a liderança permaneceu em Conti. Após dia de descanso, Ackermann ficou envolvido numa queda na recta final, tendo a vitória ficado a cargo de Arnaud Démare (FDJ). Antes da chegada da montanha, Ewan venceu pela segunda vez na prova, após Viviani abdicar da roda do seu colega Fabio Sabatini. Quer Ewan quer Viviani diriam adeus à prova no final do dia.

Segunda vitória para Ewan e despedida da prova.

De facto, um novo capítulo começava: a montanha. A fuga do dia foi composta por 24 corredores, entre os quais Dario Cataldo (Astana) e Thomas de Gendt (Lotto Soudal). O pelotão deu liberdade para esta vingar. Eddie Dunbar (Team Ineos) mostrou a sua capacidade na montanha, enquanto Miguel Ángel López e Mikel Landa (Movistar Team) saltaram do pelotão. Cesare Benedetti (Bora – Hansgrohe) viria a bater Caruso e Dunbar na meta, enquanto o duo de favoritos recuperou meio minuto face à concorrência. A maglia rosa mudava de dono mas mantinha-se na Team UAE Emirates: Jan Polanc, inserido na fuga, era o novo líder. Na 1ª chegada em alto, foram 26 os fugitivos, entre eles Ilnur Zakarin (Katusha – Alpecin), Mikel Nieve (Mitchelton -Scott) e Bauke Mollema (Trek – Segafredo). No pelotão, Nibali comandou as movimentações, seguido por Roglic. Zakarin venceu a jornada, subindo a 3º na geral, liderada por Polanc.

Vitória de Zakarin num dia que lhe garantiu presença no top-10 final.

A 14ª etapa era a jornada mais curta em linha da 102ª edição com apenas 131 quilómetros. Num dia em que a fuga fracassou, Carapaz atacou a 27 quilómetros do fim, parando apenas na meta com a liderança da prova conquistada. Yates saiu do grupo dos favoritos na recta final e fechou em 2º, conquistando cerca de meio minuto aos restantes rivais. Na última etapa antes do 2º dia de descanso, Cataldo e Mattia Cattaneo (Androni Giocattoli – Sidermec) foram os fugitivos do dia e aproveitaram o tempo cedido pelo pelotão para disputarem a vitória da etapa entre si. Roglic foi o azarado dia, com vários problemas, perdendo tempo para os principais rivais. Após o dia descanso, a passagem pelo Passo Gavia foi anulada devido ao mau tempo. Com 21 elementos em fuga, Jan Hirt (Astana) e Giulio Ciccone (Trek – Segafredo) discutiram a etapa, com o italiano da Trek a erguer os braços, consolidando a sua camisola da montanha.

Vitória e maglia rosa para Carapaz que a preservou até final.

Na 17ª etapa 18 ciclistas aventuraram-se na frente da corrida, entre os quais Bob Jungels (Deceuninck – Quick Step), Esteban Chaves (Mitchelton – Scott) e Amaro Antunes. Cedo se percebeu que esta iria vingar. A 16 quilómetros do fim Nans Peters (AG2R) atacou e não mais foi apanhado. Foi a sua primeira vitória enquanto profissional. Amaro terminou em 14º. Na última oportunidade para os sprinters, Damiano Cima (Nippo Vini Fantini Faizanè), Mirco Maestri (Bardiani – CSF) e Nico Denz (AG2R) formaram a fuga do dia. O pelotão descuidou-se na perseguição e Cima sprintou para a vitória, batendo por uma unha negra Pascal Ackermann, que recuperou a camisola por pontos. Ao 19º dia, Chaves atacou a 27 quilómetros do fim oriundo da fuga e venceu, após uma longa lesão. Amaro Antunes integrou a mesma fuga do dia e fechou em 3º. No pelotão, Miguel Ángel López seguiu sozinho na parte final e ganhou 45 segundos a toda a concorrência.

O contentamento de Cima e a frustração de Ackermann.

Na penúltima etapa, a corrida começou a mexer-se cedo, mas sem movimentações concretas. A 20 quilómetros do fim, Ciccone atacou e levou Bilbao consigo. Miguel Ángel López tentou seguir igualmente mas foi Landa a conseguir apanhar o duo, levando consigo Nibali e Carapaz. Com o quinteto a discutir a etapa, Bilbao foi o mais forte. Com um (terceiro) contra-relógio individual a encerrar a prova, Chad Haga (Team Sunweb) bateu toda a concorrência, somando a 1ª vitória na Europa e no World Tour aos 30 anos. Relativamente aos favoritos, Nibali foi o melhor na 9ª posição, seguido de Roglic que recuperou o 3º lugar perdido na etapa anterior para Landa. Carapaz segurou a vitória.

Segunda vitória para Bilbao na prova.

Amaro Antunes terminou a sua primeira Grande Volta na 54ª posição, Pascal Ackermann tornou-se no primeiro alemão a conquistar a camisola por pontos, Ciccone reinou na montanha, Ángel López na juventude e a Movistar colectivamente. 142 ciclistas chegaram ai fim.

Top-10 final.

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