3 360,9 quilómetros, 40 mil metros de desnível positivo acumulado, cinco chegadas em alto distribuídas por 21 dias outonais. Era o que os 176 ciclistas à partida teriam pela frente nesta 103ª edição do Giro d’Italia.

O contra-relógio inaugural foi ganho por um atleta da casa, Filippo Ganna (Ineos – Grenadiers). João Almeida (Deceuninck – Quick Step) surpreendeu tudo e todos ao ficar em 2º, sendo Geraint Thomas (Ineos – Grenadiers) o melhor dos favoritos à vitória final. O britânico ficou em 4º, ao passo que Vincenzo Nibali (Trek – Segafredo) e Jakob Fuglsang (Astana) tiveram um dia para esquecer. A 2ª etapa ditou o abandono de mais um nome sonante da Astana: depois de Miguel Ángel López, Alexandr Vlasov. Diego Ulissi (UAE – Team Emirates) bateu Peter Sagan (Bora – Hansgrohe) num sprint em ligeira subida. Na chegada ao Monte Etna (18 quilómetros a 6,6%, em média) Jonathan Caicedo (EF Pro Cycling) venceu oriundo da fuga, com Wilco Kelderman (Team Sunweb) a atacar e recuperar tempo. João Almeida chegou depois e tornou-se líder da geral individual.

João Almeida a vestir, pela primeira vez, a maglia rosa.

Na primeira verdadeira chegada ao sprint Peter Sagan arrancou cedo demais e deixou-se bater por Arnaud Démare (FDJ), no adeus a Geraint Thomas (que abandonou) e à Sicília. Na chegada a Itália continental, Filippo Ganna voltou a brilhar, desta feita na média montanha. Ao 6º dia, Démare bateu tudo e todos, de novo. Ao 8º dia, nova fuga vingaria, desta feita com Alex Dowsett (Israel Start-Up Nation). O dia ficou ainda marcado pelo abandono de Simon Yates (Mitchelton – Scott) após ter testado positivo para a Covid-19. O dia seguinte foi também para a fuga, desta feita para um português! Ruben Guerreiro (EF Pro Cycling) deixou Jonathan Castroviejo (Ineos Grenadiers) para trás e venceu pela 1ª vez enquanto elite. E logo numa Grande Volta! João Almeida cedeu alguns segundos para os demais favoritos mas segurou a liderança, subindo ao pódio no final com Ruben, vencedor da etapa e novo líder da classificação da montanha.

Ruben Guerreiro conquistou a etapa 9 do 103º Giro d’Italia.

Após o primeiro dia de descanso, Mitchelton – Scott e a Team Jumbo – Visma abandonaram a prova italiana por casos positivos de Covid-19 dentro da sua estrutura. 177 quilómetros numa etapa de média montanha. Peter Sagan inseriu-se na fuga do dia, atacando a 12 quilómetros do fim, obtendo uma das maiores vitórias da carreira. Fuglsang perdeu tempo, fruto de um furo a 10 000 metros do fim. Ao 11º dia Démare voltou a bater Sagan. No dia seguinte, nova fuga vingaria. Mark Padun (Bahrain – Mclaren) teve um problema mecânico quando lutava pela vitória com Jhonatan Narváez (Ineos – Grenadiers), que acabou por vencer. Na 13ª etapa Ruben Guerreiro foi em busca do segundo triunfo na edição mas foi João Almeida a disputar o triunfo, sendo apenas batido por Ulissi.

João Almeida perdeu a etapa 13 por uma unha negra para Diego Ulissi.

No segundo contra-relógio individual da prova, Filippo Ganna viria a ser o mais forte novamente, com João Almeida a fechar em 6º e a ganhar tempo a todos os seus rivais directos. No regresso da montanha, o Piancavallo reservava 14,5 quilómetros a uma pendente média de 7,8%. Foram caindo um por um: Domenico Pozzovivo (NTT), Pello Bilbao (Bahrain – Mclaren), Nibali e João Almeida. O português conseguiu preservar a liderança, numa etapa conquistada por Tao Geoghegan Hart (Ineos – Grenadirs) que dedicou o triunfo a Nicolas Portal. Os dois dias seguintes seriam reservados às fugas: para Jan Tratnik (Bahrain – Mclaren) e Ben O’Connor (NTT), respectivamente.

Tao Geoghegan Hart dedicou o triunfo a Nicolas Portal.

O Stelvio chegou ao 18º dia. Com ele boas e más notícias para os portugueses: Ruben Guerreiro garantiu a camisola da montanha e João Almeida perdeu a maglia rosa. Numa etapa onde a Ineos – Grenadiers e a Team Sunweb controlaram, a mesma foi disputada por Tao Geoghegan Hart e Jai Hindley (Team Sunweb). O australiano venceu e o seu colega de equipa, Wilco Kelderman, assumiu a liderança da prova, mesmo depois de ter perdido tempo para o duo. A 20ª etapa padeceu do mesmo filme, com a diferença no protagonista: foi Geoghegan Hart a vencer e bater Hindley. Pelo meio, o pelotão recusou fazer os 258 quilómetros previstos e, numa etapa encurtada para 125 quilómetros, a fuga vingou através de Josef Černý (CCC).

Tao Geoghegan Hart bateu Jai Hindley na penúltima etapa.

À partida do contra-relógio final, primeiro e segundo classificados partiam com o mesmo tempo, algo inédito numa Grande Volta. Filippo Ganna voltou a ser o mais forte e o seu colega de equipa viria a bater Hindley por 39 segundos, conquistando o triunfo final. Pelo meio, João Almeida fechou em 4º e subiu a 4º na geral – a melhor classificação de sempre de um português na história da prova. Ruben Guerreiro viria a terminar a prova na 33ª posição da geral, levando a camisola da montanha para casa – pela primeira vez Portugal conquistou uma camisola de liderança numa Grande Volta. Arnaud Démare conquistou a classificação da regularidade. Tao Geoghegan Hart levou a maglia rosa e a camisola da juventude, com a sua equipa a somar sete triunfos e a vencer colectivamente. Conclusão? Uma novavaga de ciclistas está a surgir e a escrever a sua história na modalidade.

Top-15 da geral final.

No Jogo das Apostas, Paulo Martins fez a dobradinha Tour de FranceGiro d’Italia, numa edição liderada praticamente do início ao fim por Olivier Bonamici.

Nota: Gonçalo Moreira não comentou a etapa 3, pelo que a sua pontuação fora a média dos outros três comentadores nas três primeiras jornadas (33). Aqui é feito o acerto, considerando que o comentador sediado em Valência apostou nas duas primeiras jornadas.

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