176 ciclistas, 21 etapas, 3 480 quilómetros a percorrer por 744 cidades, com 30 contagens de montanha. Assim se apresentava a 106ª edição do Le Tour de France que partia em Bruxelas, no 100º aniversário da camisola amarela.

Bruxelas, um destino a visitar.

A 1ª etapa ficou marcada por uma queda na recta da meta, com Dylan Groenewegem (Team Jumbo – Visma) envolvido. No entanto, Mike Teunissen faria as vezes do colega de equipa, batendo Peter Sagan (Bora – Hansgrohe) e tornando-se no primeiro camisola amarela da prova. O 2º dia trouxe um contra-relógio colectivo, onde a Jumbo – Visma, a Team Ineos e a Deceuninck subiram ao patamar de cima do Atomium, ficando a ver a AG2R, a Movistar Team e a Team UAE Emirates. Na despedida do território belga, Tim Wellens (Lotto Soudal) lançou-se na frente à procura de ponto para a camisola da montanha. Julian Alaphilippe (Deceuninck – Quick Step) queria vencer a jornada, saiu do pelotão na última subida, alcançou o belga (que teve um furo de seguida, tendo ficado atrasado) e só parou na meta onde se tornou o novo líder da prova. O 4º dia proporcionou ao pelotão um sobe e desce constante, mas acessível aos sprinters. Elia Viviani (Deceuninck – Quick Step) venceu pela primeira vez no Tour, 67 anos depois de Fausto Coppi vencer também em Nancy. Na 5ª etapa, Peter Sagan bateu Wout van Aert (Team Jumbo – Visma) e Matteo Trentin (Mitchelton – Scott), reforçando a sua liderança na camisola verde. Esta foi a 12ª vitória do eslovaco na prova.

Sagan continuou a fazer história no Tour.

A primeira chegada em alto decorreu ao 6º dia de prova. 14 elementos estiveram em fuga, entre eles Tim Wellens, Giulio Ciccone (Trek – Segafredo) e Dylan Teuns (Bahrain – Merida). Os últimos dois viriam a disputar a jornada, com o triunfo a cair para o homem da Bahrain – Merida, que se estreou a vencer no Tour. Já Ciccone, rei da montanha no 102º Giro d’Italia, tornar-se-ia no novo líder da prova. Entre os favoritos, Thibaut Pinot (FDJ) ganhou alguns segundos, enquanto Romain Bardet (AG2R) perdeu tempo. Na etapa mais longa da edição, Groenewegem bateu Caleb Ewan (Lotto Soudal) no photo finish. Na etapa seguinte, Thomas de Gendt foi o homem mais forte e venceu, oriundo da fuga do dia. No pelotão, Alaphilippe atacou, levou Pinot consigo, ganharam 20 segundos à concorrência e Alaphilippe recuperou a liderança. No Dia da Bastilha, nova fuga vingou, desta feita com Daryl Impey (Mitchelton – Scott) a bater Tiesj Benoot (Lotto Soudal) na linha de meta.

A etapa 7 foi decidida no photo finish, a favor de Dylan Groenewegem.

A etapa 10 foi conquistada pelo estreante Wout van Aert, o Tri-campeão Mundial de Ciclocross que bateu Viviani e Ewan, respectivamente. 4 etapas em 10 jornadas para a Jumbo – Visma. O dia foi ainda marcado pelo vento e Rigoberto Uran (Team EF Education), Richie Porte (Trek – Segafredo), Jakob Fuglsang (Astana) e Pinot perderam 1:40 minutos para os demais, enquanto Mikel Landa (Movistar Team) perdeu mais de 2 minutos. Depois do dia de descanso, a etapa foi conquistada por Ewan, outro estreante no Tour. 6 chegadas ao sprint, 6 vencedores diferentes. A 12ª etapa seria para os fugitivos. Destes, Simon Yates (Mitchelton – Scott) tomou a ousadia de atacar, colhendo os respectivos frutos, batendo Pello Bilbao (Astana) e Gregor Muhlberger (Bora – Hansgrohe) na meta. O dia seguinte trouxe o contra-relógio individual desta edição em dia do centenário da camisola amarela. Van Aert caiu gravemente e abandonou na recta final do esforço individual. Geraint Thomas (Team Ineos) ganhou tempo a toda a concorrência… Menos para Alaphilippe que venceu. 30 anos depois, um francês vencia vestido de amarelo.

30 anos depois, um francês venceu estando na liderança da prova.

A 14ª etapa foi a primeira de três chegadas acima dos 3 mil metros de altitude, algo único na história do Tour. Adam Yates (Mitchelton – Scott), Nairo Quintana (Movistar Team), Enric Mas (Deceuninck – Quick Step), Bardet e Porte despediram-se de uma possível vitória na prova. Pinot atacou no grupo dos favoritos e venceu no Tourmalet, com Alaphilippe a fechar em 2º, aumentado a diferença para os favoritos. 35 anos depois de Barnard Hinault, voltariam os franceses a festejar? A etapa seguinte ajudou a formular um pouco mais a ideia. Pinot colocou de novo os favoritos em sentido, atacando e levando Egan Bernal (Team Ineos) consigo, enquanto Alaphilippe perdeu alguns segundos. A etapa foi ganha por Simon Yates, o britânico que esteve na fuga do dia. Após o segundo dia de descanso, Geraint Thomas voltou a cair na presente edição, mas sem mazelas. Já Fuglsang não teve tanta sorte e teve mesmo que abandonar, num dia em que Ewan bisou. A 17ª etapa teve Rui Costa (UAE Team Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar Team) na fuga do dia, de onde saiu o vencedor: Matteo Trentin deu o 4º triunfo à Mitchelton – Scott.

Pinot disse ‘presente’ no alto do Tourmalet.

O dia seguinte trouxe os Alpes e uma fuga numerosa, com Quintana e Bardet inseridos na mesma. O colombiano da Movistar viria a vencer, com o seu compatriota Bernal a atacar no pelotão, conquistando 32 segundos face aos restantes. Alaphilippe manteve-se entre os favoritos e segurou a liderança. O dia seguinte seria desastroso para os franceses. Pinot abandonou, Alaphilippe e a etapa foi neutralizada no topo do Col de l’Ise devido à forte tempestade a ao deslizamento de terras. Egan Bernal subiu à liderança e manteve-a no dia seguinte, numa etapa encurtada devido ao mau tempo ganha pelo fugitivo Vincenzo Nibali (Bahrain – Merida). Alejandro Valverde (Movistar Team) tentou alcançar o Tubarão mas atacou tarde demais. Ainda assim, o Bala garantiu o 9º lugar à geral, numa performance muito discreta. Afinal, era ‘somente’ um gregário…!

Valverde acabou em 8º, sendo apenas gregário de Quintana, 7º. Será o Bala como o vinho do Porto ou Quintana fraco demais para vencer o Tour?

Na chegada aos Campos Elísios, Ewan bateu Groenewegem e Niccolò Bonifazio (Team Total Direct Energie). Peter Sagan selou a sua 7ª camisola por pontos, batendo as 6 de Erik Zabel. O pódio final teve a menor diferença de sempre: 1:31 minutos entre Egan Bernal (1º) e Steven Kruijswijk (Team Jumbo – Visma, 3º). Pelo meio ficou o vencedor da edição anterior, Geraint Thomas. Destaque ainda para Julian Alaphilippe que esteve 14 dias vestido de amarelo e para Bardet que acabou por levar a camisola das bolinhas para casa. A Team Jumbo – Visma, a Lotto Soudal e a Mitchelton – Scott arrecadaram 4 vitórias em etapa cada. Quanto aos portugueses, foi uma prestação sem brilho. No entanto, Rui Costa, Nelson Oliveira e José Gonçalves (Katusha – Alpecin) chegaram a Paris.

Top-15 final.

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