A 21ª edição UCI do Tour de Taiwan arrancou, como habitualmente, com o circuito em torno dos principais monumentos da capital, Taipei. De realçar o Taipei 101 (edifício mais alto do mundo entre 2004 e 2010), o Office of the President (originalmente sede do governo colonial japonês) e o Chiang Kai-shek Memorial Hall (em memória do primeiro presidente da República da China).

Com 2 selecções e 19 equipas presentes – com destaque para a Lotto – Intermarché, a primeira equipa WorldTour de sempre a marcar presença, a jornada foi percorrida a mais de 50 quilómetros por hora e com as diversas tentativas de fuga a terem pouca ou mesmo nenhuma liberdade, com as decisões a ficarem para a chegada ao sprint entre os 104 ciclistas.

À entrada dos metros finais, a ‘guerra’ pelo posicionamento levou alguns ciclistas ao chão (sem que nenhum se lesionasse, felizmente). Dušan Rajović (Team Solution Tech – Nippo – Rali) estava mal-posicionado mas fez um sprint a la Jonathan Milan (Lidl-Trek). Fez a curva antecedente à meta por fora impondo uma potência na bicicleta absolutamente arrasadora, festejando efusivamente o triunfo. Liam Walsh (Ccache X Bodywrap) e Andrea D’Amato (Team Ukyo) completaram o pódio da etapa, respectivamente.

Rajović conquistou a etapa 1 perante um imenso público – tal foi uma constante ao longo desta edição.

O segundo dia nesta nação insular a 180 quilómetros a leste da China contemplou a rota já histórica que liga o centro de Taoyuan ao Jiaobanshan Park. Entre a beleza natural de Shimen Reservoir, as fachadas barrocas de Daxi e o coração da cultura Atayal que é Jiaobanshan, poucos foram os metros verdadeiramente planos ao longo dos 123,3 quilómetros.

A selecção da casa procurou mostrar o talento dos seus atletas mas os fugitivos acabaram por ser outros. Em primeiro lugar, o japonês Yuhi Todome (Aisan Racing Team) que atacou nas duas contagens de montanha, somando pontos suficientes para ser o primeiro líder dessa mesma classificação. E, ainda, o dinamarquês Mathias Bregnhøj (Terengganu Cycling Team) cujo ataque já nos quilómetros finais fraccionou por completo o que restava do pelotão, deixando somente 20 atletas na frente.

À entrada da ascensão final, as equipas espanholas da Fundación Ciclista Euskadi e da Equipo Kern Pharma colocaram um ritmo muito forte na dianteira mas acabou por ser a Lotto – Intermarché a conquistar a etapa. Matthew Fox leu na perfeição os metros finais, batendo Jordi López (Fundación Ciclista Euskadi), com o seu colega de equipa Matys Grisel a fechar o pódio da jornada.

A Lotto levou a Taiwan uma equipa jovem e veloz, mas igualmente eficaz.

Uma etapa na região de Kaohsiung também já é quase que obrigatório no Tour de Taiwan. Tal sucedeu-se ao terceiro dia, com um total de 146,4 quilómetros.

Com Matthew Fox na liderança da prova, a partida foi dada no Fo Guang Shan Buddha Museum, um dos locais budistas mais importantes do mundo e as mexidas não tardaram a acontecer. Jordi López foi buscar 3 segundos de bonificação logo no sprint intermédio, ele que partira no 2º lugar da geral individual. As movimentações não pararam, fruto das três contagens de montanha que se seguiram. No entanto, o japonês Yuhi Todome conseguiu preservar a liderança da montanha, tendo somado um ponto importante na última das contagens.

Aproximando-se o final, a Lotto – Intermarché teve a difícil tarefa de controlar um irrequieto pelotão, desafio gigante pois a formação apresenta-se na prova com um quinteto cuja idade média é de 20 anos.

Com chegada junto ao Estádio Nacional de Kaohsiung – bem junto Porto de Kaohsiung, um dos maiores e mais importantes portos não só de Taiwan mas também do mundo, e já dentro dos 1 500 metros finais, um toque entre rodas ditou uma queda feia e várias cambalhotas na frente do pelotão, com a curva a 90º para a direita logo depois a ser feita em excesso de velocidade por boa parte desse pelotão, tendo estes indo parar ao outro lado da estrada – o líder da geral foi um desses homens. Este conseguiu voltar ao lado correcto da estrada mas já sem forças para sprintar. Essa responsabilidade dentro da única equipa do WorldTour presente ficou a cargo de Matys Grisel que não vacilou, batendo Paul Hennequin (Fundación Ciclista Euskadi) e Yoshiki Terada (Team Ukyo), respectivamente. O jovem francês tornou-se, então, no novo líder da classificação geral.

Naquela que é a região conhecida como a “Cozinha de Taiwan”, Grisel cozinhou um importante triunfo na e para a sua carreira.

O penúltimo tiro-de-partida deu-se em Gaoshu, uma área de Conservação de Fontes de Água desde 1987 rica em abacaxis, jujubas, limões e, goiabas e papaias.

Cedo na jornada um quinteto formou a fuga do dia, de onde se destacava o vencedor de 2023, Jeroen Meijers (Victoria Sports Pro Cycling) – o outro antigo vencedor em prova era Yukiya Arashiro (Team Solution Tech – Nippo – Rali, vencedor da edição de 2018). Com o quinteto longe de poder disputar a geral final, os sprints intermédios não causaram a agitação das entadas anteriores. Mas um problema de maior levantou-se: anular o quinteto.

O facto de cada formação poder ter apenas cinco atletas não ajudou à causa e a juventude da equipa do líder, a Lotto – Intermarché, tornaram a tarefa numa missão quase impossível. Ao trabalho juntaram-se outras formações como a Team Ukyo e a Equipo Kern Pharma, com o trio que restava da fuga original a não ter mais forças, abdicando de lutar pela vitória a menos de 3 000 metros para o fim.

Com uma recta da meta larga e com extensão de sensivelmente 750 metros, os comboios foram, finalmente, importantes. A Lotto – Intermarché tentou somar a terceira vitória (consecutiva) através do líder da classificação geral, Matys Grisel, enquanto a Team Ukyo procurou colocar o melhor possível o camisola verde (por empréstimo) Andrea D’Amato. No entanto, os principais protagonistas acabaram mesmo por vir de trás.

O comboio da Team Solution Tech – Nippo – Rali fez uma recuperação formidável nos últimos 500 metros, permitindo a Dušan Rajović vencer com mais de uma bicicleta de vantagem. O segundo classificado acabou por ser o francês Paul Hennequin que, ao ver que a sua equipa não conseguiria colocá-lo, subiu no pelotão impondo a Lei de Mark Cavendish: houve cabeçadas, encostos de ombros, tudo (muito) no limite da legalidade. Andrea D’Amato completou o pódio da jornada.

Rajović conseguiu bisar na prova que vai para a estrada desde 1978 mas só entrou no calendário UCI em 2005.

O centro de todas decisões foi East Rift Valley, no regresso do pelotão à zona leste desta nação insular 15 anos depois. Nesta região conhecida pelos ventos laterais a surpresa meteorológica foi a chuva, num contraste gritante com os restantes dias.

No primeiro sprint intermédio Dušan Rajović (na luta pela camisola da regularidade) e Jordi López (na luta pela geral final), foram buscar pontos e segundos importantes. No segundo sprint intermédio foi a vez do australiano Dylan Hopkins (Roojai Cycling) a ir buscar segundos com vista a subir alguns lugares dentro do top-10. Mas tudo estava a reservar-se para a chegada em falso plano junto às margens do lago Liyu – 600 metros a uma pendente média de 3%.

A Lotto – Intermarché (procurando assegurar o triunfo final) e a Team Ukyo (procurando conquistar a primeira etapa nesta edição) foram as formações que mais trabalharam ao longo do dia. No entanto, nos derradeiros metros finais Lucas Carstensen (Kinan Racing Team) chegou-se à frente, começando o sprint a cerca de 500 metros. Liam Walsh chegou à roda do germânico mas a ligeira inclinação da estrada retirou-lhe as forças necessária para o ultrapassar, proporcionando um enorme triunfo para o sprinter da cidade de Hamburgo.

Lucas Carstensen foi o grande vencedor do regresso da prova ao leste de uma ilha que tem 36 mil quilómetros quadrados de área.

Matys Grisel conquistou a sua primeira prova por etapas da carreira, com o seu colega de equipa Matthew Fox a terminar em 2º. Jordi López fechou o pódio, à semelhança da edição anterior. Paul Hennequin venceu a camisola por pontos, com o japonês Yuhi Todome a levar para casa uma camisola da montanha que esteve sempre no seu corpo. Para o Japão foi também a camisola referente ao melhor ciclista asiático, neste caso, para Yuma Koishi (Kinan Racing Team). Por fim, o título colectivo sorriu à Fundación Ciclista Euskadi.

Pódio final da edição 21 UCI do Tour de Taiwan.

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