A edição 84 da Paris – Nice contemplou oito etapas, todas elas com as suas dificuldades, típicas de uma das mais históricas provas por etapas do calendário de estrada.
A primeira etapa acabou por ser discutida em pelotão compacto, com Luke Lamperti (EF) a bater Vito Braet (Lotto – Intermarché) e Orluis Aular (Movistar Team), respectivamente. Pela primeira vez um norte-americano conquistou um sprint na ‘Prova do Sol’.

O segundo dia era, no papel, a única chegada puramente ao sprint. A teoria verificou-se na prática. A fuga do dia cedo foi anulada e foi aí que Daan Hoole (Decathlon CMA CGM Team) virou (quase-)herói. O neerlandês atacou, animou e só foi mesmo alcançado nos metros finais. Com o pelotão compacto, o mais forte ao sprint acabou por ser um surpreendente Max Kanter (XDS Astana Team) que bateu Laurence Pithie (Red Bull – Bora – Hansgrohe) e Jasper Stuyven (Soudal Quick – Step), respectivamente. Ao fim de nove temporadas no mais alto escalão da modalidade, finalmente o alemão conseguiu uma vitória no World Tour. Caso para dizer que, quem espera sempre alcança!

A 3ª jornada foi composta por um contra-relógio colectivo de 23,5 quilómetros. No entanto, este acabou por ser mais individual do que colectivo visto que o tempo final que contava era do primeiro atleta a cortar a linha de meta e não do quarto, como sempre aconteceu.
Kévin Vauquelin acabou por ser o ciclista mais veloz, proporcionando a vitória à Ineos Grenadiers, logo seguido de Juan Ayuso (Lidl – Trek). O ciclista muitas vezes injustamente mal-amado dos portugueses tornou-se no novo líder da classificação geral.

O dia seguinte foi um absoluto desafio para os ciclistas. Entre as condições climatéricas e as dificuldades montanhosas, houve ainda a Red Bull – Bora – Hansgrohe a ‘partir’ o pelotão desde os primeiros metros da jornada.
A equipa alemã acabou por não conseguir o triunfo final pois houve um Jonas Vingegaard (Team Visma | Lease a Bike) num nível acima… quiçá oriundo do novo visual! Daniel Martínez e Tim van Dijke completaram o pódio da jornada e, sobretudo, uma tarefa com praticamente 100% de êxito por parte da Red Bull – Bora – Hansgrohe.
Juan Ayuso seguia bem na frente desta investida da equipa alemã quando caiu e abandonou, ‘deixando’ a camisola amarela a Jonas Vingegaard.

O dinamarquês confirmou e reforçou essa liderança na etapa conseguinte, atacando na principal dificuldade do dia e seguindo isolado até à meta. Um solo de cerca de 20 quilómetros mas com uma incalculável revitalização-força mental para o duas vezes Campeão do Tour de France.
A antepenúltima jornada não trouxe alterações entre os dez melhores mas trouxe a glória a um ciclista exímio na sua disciplina e rigor. Harold Tejada, a cumprir a sua 7ª temporada na XDS Astana Team, atacou a 5 quilómetros do fim para aquela que se tornou na sua primeira vitória World Tour.

A penúltima etapa prometia um imenso espectáculo. Mas as condições climatéricas não o permitiram. Com a jornada reduzida a 47 quilómetros, Tim Marsman (Alpecin – Premier Tech) foi o único fugitivo do dia. No entanto, a chegada acabou por ser compacta.
Com Jonas Vingegaard a não estar na disputa da etapa depois de ter ficado envolvido numa queda – mas sem cortes pois a regra dos três quilómetros foi prévia e excepcionalmente aplicada a uma etapa de montanha – o campeão nacional francês Dorian Godon (Ineos Grenadiers) obteve a sua primeira vitória em casa, no que a triunfos no World Tour diz respeito. Biniam Girmay (NSN Cycling Team) e Cees Bol (Decathlon CMA CGM Team) completaram o pódio da jornada, respectivamente.

O último dia proporcionou aos adeptos de ciclismo um último ‘recital’. Jonas Vingegaard procurou conquistar a sua terceira etapa desta edição, com a sua equipa a colocar um ritmo elevado na dificuldade decisiva do dia. O dinamarquês isolou-se, levando consigo Lenny Martinez (Team Bahrain Victorious) que acabaria mesmo por vencer a etapa.

Daniel Martínez terminou em segundo lugar na geral final, numa das maiores diferenças entre o 1º e o 2º classificados da prova. Georg Steinhauser (EF) completou o pódio, somando, ainda, a vitória na juventude. Já Jonas Vingegaard levou para casa, para além da camisola amarela, a camisola dos pontos e da montanha. Sendo que o ciclista da Team Visma | Lease a Bike foi o primeiro dinamarquês a conquistar a prova. A Ineos Grenadiers conquistou o título colectivo numa prova onde Ivo Oliveira (UAE Team Emirates) terminou a prova no 48º lugar.

















