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Bergen acolheu os Campeonatos do Mundo de fundo. Uma das coisas mais marcantes destes mundiais foi o público. A Noruega soube receber na perfeição os campeonatos do mundo e todos os intervenientes sentiram isso. As ruas de Bergen estavam cheias de gente mesmo antes de se entrar no circuito, que ambiente!Um belo exemplo a seguir!

As ruas de Bergen encheram-se para acolher os ciclistas.

Peter Sagan (Eslováquia) sagrou-se, de novo, Campeão do Mundo de Fundo, sendo o 1º a consegui-lo por 3 vezes consecutivas. O eslovaco, que dias antes da prova admitiu não estar nas melhores condições, bateu ao sprint, num grupo de 27 ciclistas, Alexander Kristoff (Noruega) e Michael Matthews (Austrália), respectivamente.

A corrida começou com um ritmo tranquilo e com um grupo de 10 homens a lançar-se na frente da corrida,  com destaque para Andrey Amador (Costa Rica) e Conor Dunne (Irlanda, lanterna vermelha da Vuelta). Este grupo chegou a ter mais de 8 minutos de vantagem, sempre controlado pelo pelotão liderado nomeadamente pela República Checa e pela Bélgica. A cerca de 80km da meta, os fugitivos foram apanhados e as figuras secundárias começaram a atacar, entre eles David de La Cruz (Espanha), Tim Wellens (Bélgica) ou Lars Boom (Holanda), mas sem vantagem sob o pelotão. Acabaram por ser anulados perto da penúltima subida do dia.

Na última subida, foi a vez de Julian Alaphilippe (França) atacar e levar consigo o italiano Gianni Moscon (que acabou por ser desclassificado por ter tido uma ajuda do seu carro após uma queda colectiva). Os dois conseguiram ganhar uma pequena margem, mas coube ao francês o derradeiro esforço.

Alaphilippe deu o que tinha e o que não tinha para levar o ouro para casa.

Nos últimos metros o francês fora caçado e coube a Matteo Trentin (Itália) lançar o sprint onde Kristoff mostrou que venceria em casa, não fosse um fortíssimo Peter Sagan.

Rui Costa foi o melhor português, terminando no 19º lugar, inserido no pelotão. Nelson Oliveira foi 56º, Tiago Machado 65º, Ricardo Vilela 66º, José Gonçalves 131º e Ruben Guerreiro não terminou a corrida. “Independentemente da forma como finalizou o Mundial, o Rui soma a sua 2ª época negativa. Passou ao lado dos objectivos principais. É hora do ciclista fazer uma reflexão e implementar as devidas mudanças, começando no calendário”, afirmou Diogo Santos, director do Ciclismo 24 por 24 à imprensa.

O balançar da bicicleta deu o triunfo a Peter Sagan.

Nas elites femininas, Chantal Blaak (Holanda) provocou uma enorme surpresa levando o ouro para casa. A holandesa caiu, trabalhou para as suas líderes e quando viu uma oportunidade de atacar, não mais foi alcançada. Katrin Garfoot (Austrália) ganhou o sprint no pelotão e conquistou a medalha de prata. Amalie Dideriksen (Dinamarca), campeã em título, fechou o pódio. Daniela Reis deveria ter sido a representante do nosso país, mas não esteve nos eleitos. Diogo Santos afirma que “a não convocatória do astro maior do ciclismo feminino português é mais uma peripécia vergonhosa protagonizada pela Federação, ao cargo de Delmino Pereira. Os Campeonatos Nacionais, na vertente feminina, decorreram de forma irregular pois na mesma data estava a decorrer o Giro Rosa, onde a Daniela esteve presente. A Daniela expões, e bem, a situação. É complicado aceitar as verdades. Delmino Pereira deve apresentar a demissão”, rematou.

A persistência de Blaak deu-lhe a Camisola do Arco-Íris.

Na corrida de juniores, Elena Pirrone (Itália) juntou o ouro da corrida de fundo ao ouro que já tinha conquistado na prova de contra-relógio, numa semana perfeita para a italiana. Maria Martins fechou em 44º, o que não constituiu uma surpresa. Segundo Diogo Santos, “Maria tem estado aquém na vertente de estrada este ano. A sua convocatória foi uma surpresa, já que o foco de Maria está nas provas em pista que vêm a seguir e existe um lote de jovens à espreita de uma oportunidade internacional”, concluiu. Já nos juniores masculinos, o dinamarquês Julius Johansen venceu a solo. Luca Rastelli e Michele Gazzoli (Itália) foram os mais rápidos do pelotão, que chegou a 51 segundos do dinamarquês, levando a prata e o bronze, respectivamente.

Pirrone juntou o ouro da prova de fundo ao ouro do crono.

Nos sub-23, Benoit Cosnefroy (França) deu outro título Mundial à França. O jovem francês atacou a cerca de 10km do fim e alcançou Lennard Kamna (Alemanha), que estava fugido. No risco, o francês conseguiu ser o mais rápido e levar de vencido o alemão. O pelotão chegou 3 segundos depois, liderado por Sveengard (Dinamarca), que ficou com o bronze. André Carvalho, atleta patrocinado, fechou em 96º. Quanto à selecção escolhida, Diogo Santos deixa igualmente críticas, “Numa geração que tem um lote de atletas ambiciosos, a inclusão de Ivo Oliveira quer na prova de crono quer na de fundo é imperceptível. A par de Maria, o foco do Ivo está no que vai acontecer na pista, vindo de uma época quase em branco. Criticar a convocatória não é desvalorizar o atleta, pelo contrário, apenas se faz realce ao facto de que estes poderiam estar a ter uma melhor e mais tranquila preparação para a pista ao invés de andarem em viagens, reconhecimentos, estágios em estrada”, finalizou.

O público vibrou com a decisão nos masculinos sub-23.

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