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Paulo Martins, de 43 anos, é há mais de uma década comentador de ciclismo no Eurosport. Como ciclista representou a Janota & Simões, Recer/Boavista, Gresco Tavira e ASC Vila do Conde. Quem o conhece sabe que ele vive apaixonadamente cada pedalada que observa. Estando a voltar aos treinos com vista à realização de Grande Fundos na próxima temporada e com o Tour  2015 à porta, Paulo Martins encontrou-se com o Ciclismo 24 por 24, numa conversa muito calma e onde abordou-se alguns temas mais pessoais.

– Olá Paulo, obrigado pela tua disponibilidade. Comecemos por uma curiosidade. Qual é o teu clube?
Costumo dizer que é o melhor do mundo e as pessoas dizem logo que não sou do Benfica e com razão, Sou do FC Porto!

– Qual o teu prato favorito?
O prato favorito da maioria dos portugueses, batata frita com um bife ou um hambúrguer.

– Qual a tua banda de eleição?
Por cá os GNR e lá fora os U2. Podia falar de Linkin Park mas U2 são a banda que mais oiço e que as músicas ficam-me sempre no ouvido.

– Qual o teu passatempo favorito?
Gosto de passar uma boa tarde a jogar PlayStation, a passear com a família ou como é óbvio a andar de bicicleta.

– Qual é o teu ídolo?
Pedro Delgado, um fenómeno!

– Para ti qual é o melhor ciclista nacional e internacional de todos os tempos?
É uma pergunta dificílima mas saltam-me dois nomes: Joaquim Agostinho pelo passado e Eddy Mercx pelo seu historial, é impensável pegarmos num palmarés ciclista actual e colocarmo-lo ao lado do de Eddy Mercx, também porque são gerações diferentes… comparações são sempre difíceis de fazer.

– Olivier Bonamici corre em casa. Pensas que será desta que ele irá sair vencedor?
Ele responderá ao longo dos 21 dias por si mesmo. Ele adora perder. (Risos)

– Qual o teu favorito?
À vitória final penso que Chris Froome.

– Qual o jovem que achas que se vai confirmar com grande ciclista neste Tour?
É o ano de afirmação de Romain Bardet e Tibaut Piunot têm de mostrar que o resultado do ano passado não foi fruto do acaso.

– Contador venceu esta edição do Giro, tendo antes anunciado que se vai retirar no final do próximo ano. Qual a tua reacção quanto ao anunciou e o que pensas que vai ser o futuro do ciclismo a nível internacional e espanhol?
Quer acima de tudo sair pela porta grande e não acontecer como por exemplo com o seu colega de equipa, Ivan Basso. O futuro espanhol penso que está mais que assegurado. Vimos Mikel Landa no Giro, temos Rafael Valls com grande potencial na equipa do nosso Rui e Ruben Fernández, este ano na Team Movistar.

– Estando El Pistolero a apontar à vitória presente lembramo-nos da guerra entre ele e Armstong no Tour de 2009. Pensas que este ano teremos um duelo semelhante dentro da equipa Movistar, entre Nairo Quintana e Alejandro Valverde?
A meu ver, não de todo. Valverde tem uma primeira semana de Tour ao seu jeito, ainda para mais chega a França com motivação extra por ter sido novamente Campeão de Fundo no seu país. O Tour começa pelo contra-relógio individual onde Valverde ganha a favor do colombiano e depois pela etapa do pavé onde o espanhol vai usufruir da sua experiência. Pelo meio existe etapas como o Mur de Hui onde o espanhol se sente muito à vontade, penso que entrarão nos Pirenéus com cerca de 3 minutos de diferença a favor do campeão espanhol. Alejandro tem a seu favor uma menor pressão e inclusive uma maior liberdade por parte do pelotão, em relação aos anos anteriores. Ainda assim quero acreditar que Quintana será a aposta principal da Movistar

– Armstrong vai percorrer o percurso do Tour à frente do pelotão, com outras personalidades, a convite de Geoff Thomas com o objectivo de conseguirem mais de um milhão de dólares, dividindo outra vez os amantes de ciclismo. Qual a tua opinião?
Penso que sendo por uma boa causa, quantos mais melhor. Armstrong está a pagar pelo que fez mais caro do que devia, num pelotão que estaria quase na totalidade dopado. Não vejo problema nenhum, e espero que consigam o milhão de dólares.

– O tempo passa rápido, parece que foi ontem que Rui Costa estava a percorrer o Tour pela Castd’Epargne. O que pensas que ele poderá fazer nesta edição?
O Rui está sempre a surpreender-nos. Penso que um lugar entre o 5.º e o 10.º será o seu lugar no meio de tantas estrelas, tendo em conta que se nada de anormal acontecer os 4 primeiros lugares vão ser entregues a Froome, Contador, Nibali e Quintana. Mas no ciclismo actual está tudo muito mais equilibrado, os próprios líderes têm falhas em 3 semanas, por isso quero acreditar num grande Tour por parte do Rui.

– O que achas da equipa Liberty sub-23 e em particular dos gémeos Oliveira? Que feitos pensas que poderão fazer no futuro?
Os gémeos Oliveira são dois talentos, quer na estrada quer na pista, são dois ciclistas com uma enorme qualidade. A acrescentar um patrocinador como a Liberty que tem apostado muito e bem nas camadas jovens, é muito bom que isso aconteça e é de realçar esse facto. Por trás de tudo isto temos o Manuel Correia, o director máximo, que levará este projecto dar muitas alegrias. Quem conhece o Manel sabe que é uma pessoa muito séria naquilo que faz, e pelo que sei, tenho a certeza que daqui a dois ou três anos estaremos a falar do projecto ainda de forma mais positiva.

– Será possível algum português erguer os braços com a amarela nos Campos Elísios? Se sim, qual?
Sou um sonhador e um apaixonado por esta modalidade, por isso quero acreditar vivamente nessa possibilidade. Temos grandes ciclistas no estrangeiro a dar visibilidade ao país, atraindo os olheiros e os investidores. Quem acompanhou de perto neste fim-de-semana os Campeonatos Nacionais em Alcabideche pôde comprovar que temos nas camadas jovens muitas pérolas, que treinadas e apoiadas podem chegar ao topo. Ninguém acreditava que um dia teríamos tantos ciclistas a competir no estrangeiro, eu sempre acreditei nisso e cheguei a receber várias críticas quando o dizia nas transmissões do Eurosport, críticas essas que vinham inclusive de pessoas ligadas ao pelotão português. Ninguém acreditava que podíamos ter um Campeão do Mundo, já tivemos e podemos voltar a ter, eu acredito. Porque não vencermos o Tour de France? Eu acredito e por enquanto vou apenas continuar a sonhar que um dia vou comentar esse grande momento.

– Obrigado Paulo por todo o apoio e disponibilidade!
Obrigado eu, é um prazer colaborar com páginas como o Ciclismo 24 por 24!

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