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Fabian Cancellara, 35 anos. É provavelmente, um dos poucos ciclistas que não ficou indiferente a ninguém, os seus companheiros afirmam que é uma pessoa com um carácter fortíssimo, que deixa tudo na estrada, seja em que papel for. Passou pela Mappei QuickStep (2000 a 2002), Fassa Bortolo (2003-2005), CSC Pro Team (2006-2008), Saxo Bank (2009-2010) e de 2011 até ao término da carreira, 2016, na Trek Factory Race (que anteriormente chamou-se Leopard Trek e RadioShack – Nissan).

Desde cedo que começou a erguer os braços. Em 2002 saiu vencedor do Bank Austria Tour e do ZLM Tour. Na época seguinte levou a camisola de melhor jovem na KBC Driedaagse van De Panne-Koksijde, no Eneco Ronde van Nederland e a camisola por pontos na Volta à Romandie. 2004 Spartakus começa a mostrar os seus verdadeiros atributos obtendo o 4º no Paris Roubaix e vencendo uma etapa da Volta à França, aos 23 anos. 2005 confirma a super estrela em que Fabian Cancellara se podia tornar. 4º na Gent – Wevelgem, na HEW Cyclassics e fechando pódio no Campeonato do Mundo de Contra-Relógio.

O suíço iniciou o percurso na CSC Pro Team da melhor maneira, erguendo no ando de 2006 os braços no velódromo de Roubaix. Finalizou o ano vencendo camisola do arco-íris na vertente de Contra-Relógio, feito que viria a repetir em 2007, não antes selando duas etapas no Tour com o seu nome… a 2ª de forma extra-terrestre.

Spartakus vence de forma magnífica pela 2ª vez no Tour’2007.

No último ano na CSC o palmarés foi recheado, começando na Milando SanRemo, somando o 2º lugar no Paris Roubaix, vencendo ainda o Tirreno Adriático e obtendo o ouro olímpico no Contra-Relógio e o bronze no Fundo.

Seguiram-se dois anos na Saxo Bank, recheados de sucesso para o suíço, que fez vibrar mais uma vez multidões. No 1º ano na equipa dinamarquesa este venceu a Volta à Suíça, duas etapas no Tour e na Vuelta e tornou-se pela 2ª vez Campeão do Mundo de Contra-Relógio. 2010 ficou marcado pela vitória prematura na época do Tour of Oman e posteriormente no E3 Prijs Vlaanderen, no Tour des Flandres, no Paris Roubaix, mais duas vitórias no Tour e sagrando-se novamente Campeão do Mundo de Contra-Relógio.

Leopard Trek (actual Trek Factory Racing), última paragem do magnífico. Destaca-se a vitória no E3 Prijs Vlaanderen e o 2º lugar no Paris – Roubaix, na Milano – SanRemo, o 3º lugar no Tour des Flandres e no Campeonato do Mundo de Contra-Relógio, sendo 4º no Campeonato do Mundo de Estrada e ainda Campeão Nacional Suíço. Em 2012 vence a Strade Bianchi, uma etapa no Tour, torna-se Campão Nacional Suíço de Contra-Relógio, conseguindo outro 2º lugar na Milano SanRemo, num ano menos conseguido para Spartakus.

Quando muitos pensariam que Cancellara não conseguiria mais reerguer-se, eis que a resposta surge da melhor maneira. Tour des Flandres, Paris Roubaix, E3 Prijs Vlaanderen – Harelbeke tiveram todos o mesmo vencedor. O rei suíço renovou o seu título de Campeão Nacional Suíço em Contra-Relógio e somou mais uma vitória na Vuelta.

Cancellara erguendo de novo os braços no velódromo de Roubaix, em 2013.

A luz apaga-se novamente em 2014, vencendo apenas o Tour des Flandres, renovando o estatuto de Campeão Nacional Suíço em Contra-Relógio e mais um 2º lugar na Milano SanRemo. Se 2014 foi mau, 2015 foi péssimo para Fabian. Uma queda durante a E3 Prijs Vlaanderen – Harelbeke tiou-o fora das Clássicas do Pavé e quando mostrou quem era roubando a camisola amarela do Tour após falhar a vitória no prólogo, nova queda retirou-o da restante época. Importante referir que Fabian Cancellara é o ciclista com mais dias de amarelo na prova francesa sem nunca a ter vencido (29 dias).

O suíço soma 29 dias de amarelo sem nunca vencer o Tour, detendo esse recorde.

2016 foi a última página de Spartacus enquanto ciclista. Começou o ano a vencer em Espanha o Troféu Serra de Tramuntana e logo após passou por terras algarvias. Na Volta ao Algarve bateu toda a concorrência no Contra-Relógio à 3ª etapa. A onda vitoriosa seguiu viagem com o suíço para a Strade Bianchi (onde venceu pela 3ª vez e fez história) e continuou em solo italiano em no Contra-Relógio ganho à 7ª etapa do Tirreno Adriático.

O suíço obteve a 2ª vitória de 2016 no Algarve.

Após uma primeira parte amplamente positiva da época, Cancellara entrou com o pé esquerdo na época de Clássicas. Ficou envolvido com Peter Sagan e outros numa queda no km final da Milan SanRemo e fechou 31º. Soma dois 4º lugares na E3 Harelbeke e Tour des Flandres, onde deu enorme espectáculo. No Paris – Roubaix, Spartacus ficou envolvido em nova queda, não indo além de 40º.

Popovich correu em 2016 a pedido de Cancellara que o queria como escudeiro no seu último Paris – Roubaix. Abraçaram-se em pleno velódromo.

Fabian Cancellara partiu para o 2º objectivo da época: vestir de roda no Giro d’Italia. Um vírus impediu a presença do super campeão a 100% na prova e regressou a casa após 9 etapas e sem o objectivo concretizado. Tornou-se Campeão Nacional de Contra-Relógio pela 4ª vez e abandona o Tour na sua terra Natal, Berna.

Parte para o Brasil onde viria a realizar as suas últimas duas provas enquanto profissional, neste caso, os Jogos Olímpicos de Estrada e Contra-Relógio, respectivamente. Na 1ª mostrou estar num pico de forma excepcional, descolando do pelotão a meros quilómetros do fim, quando deixou o seu colega Sebastien Reichenbach bem posicionado. No contra-relógio o suíço não deu hipóteses. Bateu Tom Dumolin por 47 segundos e levou o ouro na sua última prova, terminando a época e a carreira de forma brilhante.

Spartacus repetiu o feito de 2008, no fecho de carreira.

Pelos espectáculos no empedrado, pela rivalidade com Tom Boonen, pela hegemonia que deteve nos contra-relógios ou simplesmente pela sua garra, Fabian Cancellara foi e é sem dúvida um dos poucos ciclistas a deter a admiração de qualquer amante de ciclismo. Bravo Spartacus!

Spartacus na sua faceta… humorística!

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