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O dia 15 de Outubro de 1980 é uma data marcante no mundo do ciclismo. Foi nesse dia, em Mol na Bélgica, que nasceu Tom Boonen, uma lenda viva da modalidade (principalmente das Clássicas de paralelo).


Tornado Tom, tal como é vulgarmente conhecido, tornou-se profissional em 2002 quando assinou pela U.S. Postal Service (já tinha estagiado nesta equipa no final de 2000) e não demorou muito a dar nas vistas ao arrebatar um fantástico 3º lugar no Paris-Roubaix. O vencedor desse Paris-Roubaix, o seu compatriota Johan Museeuw, declarou de imediato Boonen como o seu sucessor. Estas palavras provavelmente tiveram um impacto muito grande para ele já que Museeuw era o seu ídolo de infância. Nesse ano ainda conseguiu um 7º lugar na Gent-Wevelgem e venceu uma etapa na Volta à Catalunha.
A ambição sempre foi uma das características do belga e, por isso mesmo, no final de 2002 forçou a saída da U.S. Postal Service por saber que não teria grandes oportunidades para liderar a aquipa. O seu destino foi a QuickStep-Davitamon, equipa pela qual ainda corre na atualidade apesar de hoje em dia se designar Etixx-QuickStep. Outro factor relevante para essa mudança de equipa foi, o facto de Johan Museeuw também se ter transferido para a QuickStep-Davitamon mesma.

Johan Museeuw e Tom Boonen, em Roubaix no ano de 2002.

Os primeiros tempos na nova equipa foram complicados, uma lesão no joelho atrasou a afirmação de Boonen. Regressou em grande em 2004 vencendo 2 etapas no Tour, o E3 Prijs Vlaanderen, a Gent-Wevelgem e a Scheldeprijs.
Isto foi só o aperitivo, já que em 2005 venceu as 2 Clássicas mais importantes do pavè (Paris-Roubaix e Tour de Flandres) e o Campeonato do Mundo. Foi o único ciclista a conseguir vencer estas 3 provas no mesmo ano. A isto tudo ainda juntou mais 2 etapas no Tour e outras provas de menor relevo.

Tom Tornardo a tornar-se Campeão do Mundo, em 2005.

Daí para cá foram mais 10 anos de vitórias, sempre com uma regularidade impressionante. Somou 4 Paris-Roubaix, 3 Tour´s de Flandres, 3 Gent-Wevelgem, 5 E3 Prijs Vlaanderen e 6 etapas no Tour, sendo que ainda não voltou a ser campeão de mundo. Venceu igualmente 4 classificações gerais na Volta ao Qatar. No total, são 113 vitórias como profissional, poucos se podem orgulhar de um número desta grandeza.

Tom Boonen a vencer o 4º Paris Roubaix, em 2012.

Para a história vão também ficar os duelos com Fabian Cancellara, o seu rival durante praticamente toda a carreira. Durante anos, a única dúvida em relação às Clássicas do pavè era saber se vencia Boonen ou Cancellara. Acabaram por repartir quase de forma igual as vitórias e apesar desta rivalidade sempre demonstraram grande respeito e admiração um pelo outro.

Tom Tornardo e Spartacus.

2016 foi um ano onde se viu um pouco do Boonen de outros tempos. Batido apenas por Mathew Hayman no Paris Roubaix, vence depois a RideLondon Classic e a Brussels Cycling Classic. Termina o ano a fechar em 3º os Campeonatos do Mundo de Fundo, em Doha.

Tom Boonen reservou o fim de carreira para a edição 115 do Paris Roubaix. Começou o ano a vencer no Tour de San Juan e uma pequena lesão afectou a sua preparação para o Inferno do Norte. Entrou no Tour des Flandres em grande forma, mas um problema à entrada do Taaienberg retirou o belga da discussão pela vitória.

Vitória no início de 2017 em solo argentino.

Na sua despedida, Tom Boonen tentou e voltou a tentar. Não obteve ajuda de nenhum adversário para apanhar um trio fugitivo que se destacou e acabou, de pé, na 13ª posição do Paris Roubaix. Injusto e inglório, especialmente para a lenda belga. Mas o belga sorriu no final. Afinal de contas, teve uma carreira repleta de sucessos.

A despedida.
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Aprendeu a ver, comentar e redigir ciclismo junto do seu amigo Paulo Martins. Sempre à procura de mais e melhor, Diogo Santos é o director do Ciclismo 24 por 24 desde Fevereiro de 2015. Para ele, não existem inimigos nem rivais na modalidade, pois o ciclismo permite diversas perspectivas e oferta. Diogo Santos é uma das vozes mais activas contra o "Acordo" Ortográfico.

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